Guia completo · Lei nº 15.270/2025

Guia Completo do Imposto de Renda 2026

Tudo sobre a nova isenção que livrou 16 milhões de brasileiros do desconto de IR — quem tem direito, como funciona a faixa de transição e o que realmente muda no seu contracheque.

Publicado em 15 de julho de 2026 · Atualizado em 15 de julho de 2026 · Equipe CalculaZen
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O que mudou, em resumo

Desde janeiro de 2026, a Lei nº 15.270/2025 criou uma faixa de isenção total de Imposto de Renda para quem recebe até R$5.000 por mês de rendimento tributável. Segundo estimativas do governo, isso tira aproximadamente 16 milhões de contribuintes da base de desconto do IRRF — um dos ajustes mais amplos na tabela do imposto em uma década.

Mas a mudança não é um corte seco: existe uma faixa de transição entre R$5.000,01 e R$7.350 com redução parcial e decrescente, e acima de R$7.350 a tabela tradicional continua valendo sem alteração.

Quem tem direito à isenção total

Trabalhadores CLT, servidores públicos, aposentados, pensionistas e autônomos com rendimento tributável mensal de até R$5.000 ficam isentos de IRRF. É importante notar que "rendimento tributável" não é o mesmo que salário bruto total — benefícios como vale-refeição e vale-transporte, por natureza não salarial, não entram nessa conta.

E quem ganha entre R$5.000 e R$7.350?

Essa faixa recebe uma redução parcial: o desconto de IR não desaparece, mas diminui proporcionalmente. Quanto mais próxima a renda estiver de R$5.000, maior o desconto; quanto mais próxima de R$7.350, menor o benefício, até desaparecer completamente nesse teto.

A tabela tradicional continua existindo

Para quem ganha acima de R$7.350, nada muda: a tabela progressiva tradicional (7,5% a 27,5%) continua sendo aplicada da mesma forma que já era antes da reforma.

Base de cálculo mensalAlíquotaParcela a deduzir
Até R$2.259,20Isento
R$2.259,21 a R$2.826,657,5%R$169,44
R$2.826,66 a R$3.751,0515%R$381,44
R$3.751,06 a R$4.664,6822,5%R$662,77
Acima de R$4.664,6827,5%R$896,00

Como isso afeta a declaração anual

Um ponto de confusão comum: a mudança vale para os salários pagos a partir de 2026, mas só aparece formalmente na declaração de ajuste anual entregue em 2027 (referente ao ano-calendário de 2026). A declaração entregue em 2026, sobre os rendimentos de 2025, segue as regras antigas, sem a nova isenção.

13º salário também é afetado

Sim — a mesma lógica de isenção e redução parcial se aplica ao 13º salário, calculado separadamente do salário mensal, com sua própria base de cálculo.

Erros comuns ao calcular

Quem tem mais de uma fonte de renda

Um ponto que gera dúvida frequente: se você tem dois empregos ou um emprego CLT somado a trabalho autônomo, cada fonte pagadora aplica a isenção de forma independente sobre o que paga a você. Mas se a soma de todas as suas rendas ultrapassar os limites de isenção, pode haver complementação de imposto na declaração de ajuste anual — o desconto na fonte não necessariamente reflete o imposto total devido quando há múltiplas fontes.

Como a medida foi financiada

Uma pergunta comum é como o governo compensa a perda de arrecadação gerada pela isenção de 16 milhões de contribuintes. A Lei 15.270/2025 prevê, em contrapartida, alíquotas mais altas de IR para rendimentos muito elevados (acima de determinado patamar mensal), criando um efeito redistributivo: quem ganha menos paga menos, quem ganha significativamente mais passa a contribuir proporcionalmente mais.

Comparando com a tabela de antes de 2026

Antes da mudança, a isenção total valia apenas até R$2.259,20 — um valor que, na prática, cobria pouquíssimos trabalhadores formais, já que estava abaixo do salário mínimo de muitas categorias. A nova faixa de R$5.000 representa um salto expressivo, aproximadamente o dobro do teto de isenção anterior, o que explica o alcance da medida sobre uma parcela tão grande da população economicamente ativa.

O que fazer se você não sabe se está isento

A forma mais confiável de confirmar é somar seu rendimento tributável mensal (salário menos benefícios não salariais como vale-refeição), subtrair o INSS já descontado e comparar o resultado com o limite de R$5.000. Se tiver dúvida, o próprio contracheque deve refletir a isenção automaticamente a partir de fevereiro de 2026 — se o desconto de IR continuar aparecendo mesmo com renda dentro da faixa isenta, vale conferir com o RH da empresa se o sistema de folha já foi atualizado.

A partir de quando vale a nova isenção do IR?

Desde janeiro de 2026, com efeito nos salários pagos a partir de fevereiro de 2026, conforme a Lei nº 15.270/2025.

Quem ganha R$6.000 também é beneficiado?

Sim, de forma parcial. Rendimentos entre R$5.000,01 e R$7.350 recebem uma redução decrescente do imposto — quanto mais próximo de R$5.000, maior o desconto.

Isso muda minha declaração anual de 2026?

Não a declaração entregue em 2026 (referente a 2025). A mudança aparece na declaração entregue em 2027, referente ao ano-calendário 2026.

Autônomos e MEI também são beneficiados?

A regra se aplica ao rendimento tributável mensal de pessoa física de forma geral, incluindo autônomos que recolhem carnê-leão, respeitando as mesmas faixas de isenção e redução.

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Fontes: Lei nº 15.270/2025 (Planalto) · Receita Federal do Brasil · Ministério da Fazenda. Revisado em julho de 2026.