O que é o Consignado CLT
O Consignado CLT, oficialmente chamado de Crédito do Trabalhador, é uma linha de crédito lançada pelo governo federal em março de 2025 para trabalhadores com carteira assinada. A diferença central em relação ao crédito pessoal comum é a forma de pagamento: as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento, o que reduz o risco de inadimplência para o banco e, na teoria, permite taxas de juros bem menores.
Como funciona na prática
Ao contratar, o trabalhador autoriza o desconto das parcelas direto no salário, dentro do limite de margem consignável. O banco avalia o histórico de crédito e o vínculo empregatício antes de aprovar, e a empresa precisa estar cadastrada no convênio do programa.
Margem consignável — quanto você pode comprometer
| Modalidade | Limite |
|---|---|
| Empréstimo consignado parcelado | até 35% do salário líquido |
| Cartão de crédito consignado (RMC) | até 5% |
| Cartão benefício (RCC) | até 5% |
| Total | até 45% |
Taxas de juros: a faixa é ampla
O Consignado CLT opera na faixa de 1,63% a 6,87% ao mês, uma variação bem maior que o consignado de servidor público ou INSS. Isso acontece porque o Consignado CLT é uma modalidade mais nova, com maior risco percebido de rotatividade de emprego — diferente da estabilidade de um servidor público, por exemplo.
Desde 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego limita o custo efetivo total (CET) a no máximo 1 ponto percentual acima da taxa de juros contratada, uma medida para evitar tarifas escondidas que inflam o custo real do crédito.
Consignado CLT x crédito pessoal x rotativo do cartão
A comparação mais relevante é com o rotativo do cartão de crédito, que pode superar 14% ao mês — mais que o dobro da faixa máxima do Consignado CLT. Para quem já está endividado no rotativo, migrar a dívida para o consignado costuma reduzir bastante o custo total, mas exige planejamento, já que compromete uma fatia fixa do salário por um período determinado.
Cuidados antes de contratar
- Confirme se sua empresa realmente está cadastrada no convênio — nem todo empregador participa automaticamente.
- Compare propostas de diferentes bancos: a variação de 1,63% a 6,87% é grande, então "a primeira oferta" raramente é a melhor.
- Considere seu risco de desemprego: comprometer 35% do salário por 2-3 anos é um risco maior se sua área tiver alta rotatividade.
- Verifique o CET completo, não só a taxa de juros anunciada.